A Campus Party Brasil 2011 acabou e, apesar dos problemas com falta de energia, internet, goteiras e filas, teve um saldo positivo. Palestras inspiradas, oficinas interessantes, flashmobs e, o mais importante de tudo, muita interação online e offline. Os dois últimos dias do evento eram considerados os melhores pela organização, e de forma alguma decepcionaram.
Na sexta, depois de muita confusão por causa das chuvas e goteiras, uma nova queda de energia levou a novos protestos. Os geradores foram acionados, mas participantes circularam com faixas dizendo nunca mais.
As 13hs, Alexandre Ottini e Deive Pazos, do blog Jovem Nerd, subiram ao Palco Principal para falar sobre o orgulho nerd. Para eles, conhecer todos os gibis do Super-Homem ou todos os personagens de Star Wars está longe de ser orgulho nerd.
Para ilustrar o que é o orgulho nerd, a dupla convidou Marco Gomes, criador da Boo Box, e Eduardo Spohr, autor do livro A Batalha do Apocalipse, para contarem um pouco mais sobre como o conhecimento nerd ajudou em suas carreiras. O ponto principal foi lembrar ao público que eles precisam aproveitar todo o seu conhecimento e potencial para criar coisas boas. “Ser nerd é pegar tudo o que você conhece e transformar um produto que muda o mundo”.

À tarde, o palco Social Media recebeu um debate para discutir as características de um bom podcast, como explorar seus recursos e como a ferramenta pode crescer independente de outras plataformas multimídia. Os podcasters Alan Pollar, Eduardo Moreira, Mafalda e Léo Lopes apresentaram seus trabalhos e afirmaram que o podcast é uma plataforma que continuará viva na internet, apesar do crescimento de videocasts e outras multimídias.

O jornalista e apresentador de esporte da Rede Globo, Tiago Leifert, compareceu à #cpbr4, na noite de sexta, para um debate sobre o uso das mídias sociais nos eventos esportivos, realizado no palco Games.
Esbanjando bom humor e dando bastante atenção aos fãs presentes, o apresentador falou sobre sua liderança à frente de um dos principais programas de esporte da televisão brasileira. “O esporte é, e sempre foi, entretenimento. Mas as emissoras não estavam tratando-o desse jeito.
No nosso programa procuramos resgatar isso. Fazemos um programa para quem não gosta de futebol”, comentou Leifert, “ainda há muitos que acham que o nosso jeito de fazer jornalismo é errado, mas acredito que exista espaço para diferentes jeitos de se fazer, para diferentes públicos.”, completou sendo aplaudido por várias vezes até o fim do debate.

No sábado, último dia de palestras, a primeira grande palestra ficou com Ben Hammersley, editor especial da Wired UK. Ele subiu ao palco descalço e pulando, para deixar seu recado: temos o dever de mudar o mundo.
Para Ben, não é preciso uma grande organização, nem permissão pra fazer isso. A dica é começar pequeno, agir regionalmente, contar para os amigos, fazer uma reportagem sobre os buracos da rua ou registrar na web os livros que lemos. Compartilhar experiências. “Se cada um fizer sua pequena parte, em seis meses teremos um mundo muito melhor”. E concluiu: “O resto do mundo conta com vocês!”

Logo mais, à noite, foi a vez de Steve Wozniak, co-fundador da Apple, lotar plateia do palco principal. Em cerca de duas horas de bate-papo com os campuseiros, ele falou sobre seu amor pela computação, sobre o que sentiu ao criar o primeiro computador do mundo e também sobre a amizade com Steve Jobs, CEO da Apple. “Não somos melhores amigos, mas nos falamos por telefone“, disse.
Simpático, Woz elogiou o evento por ser o ponto de partida para novas ideias e pela descontração. “Quando eu criei o Apple-I, eu era assim como vocês”, disse. Para ele, os jovens não devem brigar por usar Mac OS, Linux ou Windows. “O mais importante é acreditar em você, não precisa haver rivalidade.”

Ele contou sobre seu aprendizado e contou a história de como foi criada a Apple. Nos minutos finais de sua apresentação, Woz comentou sobre a neutralidade da rede, assunto debatido fortemente em diversos painéis da #cpbr4. “A internet deve ser neutra, mas deve haver regulação para as empresas de internet”, disse. “Todos os internautas devem ter o direito assegurado de acessar qualquer conteúdo na internet na mesma velocidade“.

Fique de olho aqui no blog. Durante as próximas semanas tem muito mais sobre a Campus Party Brasil 2011.